Os juros futuros fecharam a sessão com variações contidas, mas com movimentos que revelam cautela do mercado. O DI para janeiro de 2028 terminou em 13,815%, praticamente estável frente ao ajuste anterior (13,813%), enquanto a ponta longa da curva recuou: o DI para janeiro de 2035 caiu para 14,44% (ante 14,459%). A amplitude do dia — mínima de 13,735% e máxima de 13,865% no contrato 2028 — mostra que o pregão foi dominado por leitura fina de dados, não por direção clara.
O IPCA‑15 de agosto trouxe deflação de 0,40% na comparação mensal, mais forte que os -0,30% previstos pelo mercado, mas a abertura do índice revelou componentes que ainda preocupam. Serviços subjacentes aceleraram na margem segundo cálculos do Bmg, e núcleos acompanhados pelo Banco Central mantiveram ritmo que, embora não explosivo, indica persistência da inflação de serviços. No exterior, PCE e PIB dos EUA em linha com expectativas e a alta dos rendimentos dos Treasuries — o Treasury de 10 anos subiu a 4,66% — deram suporte adicional às taxas locais.
No campo fiscal, o Tesouro Nacional informou aumento da dívida pública federal para R$ 9,289 trilhões em julho (alta de 0,22% mês a mês) e revisou a meta de composição: ampliou a fatia esperada de títulos atrelados à Selic (de 46–50% para 49–53%) e reduziu a parcela de papéis indexados à inflação (de 23–27% para 21–25%), com leve queda também nos prefixados. A mudança sinaliza prioridade por instrumentos mais líquidos e sensíveis à taxa básica, mas também expõe a gestão da dívida a choques de curto prazo e à trajetória da Selic.
O resultado é um mercado que opera em modo de vigilância. A prévia da inflação alivia pressão imediata sobre preços ao consumidor, mas a força relativa dos núcleos e a combinação de Tesouro mais exposto à Selic mantêm a taxa real e o custo de financiamento sob atenção. Para o governo, a alteração na composição da dívida reduz risco indexado à inflação, mas transfere parte da incerteza para a dinâmica das taxas de juros — uma equação que exige disciplina fiscal e sinalização clara para evitar custo maior no futuro.