A surpresa negativa nos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos nesta sexta-feira (7) provocou forte queda nos rendimentos dos Treasuries e levou as taxas dos DIs no Brasil a ajustar-se para baixo. O DI para janeiro de 2028 caiu para 13,78%, recuo de 7 pontos-base em relação ao fechamento anterior (13,853%). Na ponta longa, o DI para janeiro de 2035 ficou em 14,425%, 3 pontos-base abaixo do ajuste anterior.
O Departamento do Trabalho dos EUA informou fechamento de 23 mil vagas em julho, ante expectativa de abertura de 80 mil, e revisou para pior os números de junho (20 mil vagas, contra 57 mil inicialmente). A leitura fraca reduziu as apostas de alta do Federal Reserve no curto prazo: o mercado passa a trabalhar com manutenção em setembro e possibilidade de ajuste mais adiante, segundo avaliação de agentes financeiros.
No intradia, as taxas brasileiras acentuaram a queda logo após a divulgação, com o DI para 2028 chegando a 13,755% às 9h33, e o dólar também marcando a mínima do dia frente ao real. Entre os títulos americanos, o rendimento do Treasury de dois anos recuou para 4,191% (-5 pontos-base) e o de dez anos para 4,639% (-3 pontos-base). Investidores ainda monitoraram o conflito no Oriente Médio como fator de volatilidade adicional.
O movimento reduz, a curto prazo, a pressão sobre o custo de rolagem da dívida pública e oferece espaço fiscal limitado em um cenário de juros reais elevados. Mas a folga pode ser temporária: a curva ainda reflete prêmios importantes e eventuais choques externos ou retomada da inflação elevariam novamente o custo do endividamento. Para o governo e para gestores, trata-se de uma janela de alívio, não de solução definitiva.