As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a sessão desta terça-feira em baixa, alinhadas ao recuo dos rendimentos dos títulos norte-americanos depois de declarações de uma autoridade do Federal Reserve. A taxa do DI para janeiro de 2028 caiu para 13,57%, recuo de 9 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 13,664%. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2035 terminou em 14,00% (-4 pontos-base).

O movimento internacional foi puxado pela fala do presidente do Fed de Nova York, John Williams, que afirmou haver tempo para avaliar os indicadores antes de elevar juros novamente. A mensagem derrubou os yields de curto prazo nos EUA — o Treasury de dois anos caiu para 4,895% às 16h34 — e afastou o rendimento de 10 anos das máximas do dia, o que aliviou a pressão sobre a curva brasileira, que havia atingido pico intradiário na casa de 14,110% para 2035 por volta do meio-dia.

No front doméstico, a sessão teve agenda carregada: o IBGE trouxe a taxa de desemprego em 5,3% nos três meses até agosto; o Ministério do Trabalho informou a criação de 165.827 vagas formais em agosto (bem acima da projeção); e o Tesouro apontou déficit primário do governo central em R$ 13,585 bilhões no mês, resultado um pouco melhor que o do ano anterior e levemente superior à expectativa de mercado. Esses dados ajudam a compor o cenário para as apostas sobre o próximo encontro do Copom, marcado para o início de novembro.

A incerteza política continuou a exercer efeito sobre os preços: pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou empate técnico no segundo turno entre Flávio Bolsonaro (47,7%) e Luiz Inácio Lula da Silva (47,6%), com margem de erro de 1 ponto percentual. No mercado, sinais de avanço de candidaturas vistas como mais favoráveis ao equilíbrio fiscal tendem a reduzir risco político e pressionar a curva e o dólar para baixo; o resultado reforça que a trajetória da Selic e a resposta do Copom seguem sujeitas tanto a fatores externos quanto a percepções sobre o rumo fiscal do país.