Após duas sessões de avanço, os juros futuros recuaram na sexta-feira, em um movimento influenciado pela queda do petróleo no exterior e pela combinação de alta dos rendimentos dos Treasuries e novos números de inflação no Brasil. A taxa do DI para janeiro de 2028 fechou em 13,645%, com baixa de 2 pontos-base ante o ajuste anterior; na ponta longa, o DI para janeiro de 2035 recuou para 13,98% (-7 pontos-base).
O petróleo Brent cedeu, ficando em torno de US$ 104 o barril no fechamento, diante de sinais de aproximação de um acordo entre EUA e Irã, apesar dos riscos apontados por ataques de houthis. Mesmo assim, os Treasuries de 10 e 30 anos subiram, refletindo preocupação com a inflação americana e com os desdobramentos geopolíticos, fatores que mantêm volatilidade nos mercados globais.
No plano doméstico, o IPCA-15 de setembro mostrou alta de 0,70% no mês e 4,47% em 12 meses, acima das projeções do mercado. Cálculos do Bmg indicaram aceleração em serviços e nos núcleos de inflação; o economista-chefe do banco avaliou que o resultado não altera o atual patamar da Selic, mas analistas como Gabriel Pestana da Genial apontam que a leitura torna mais desafiadora a ideia de um corte em novembro.
A combinação de núcleos mais firmes, risco externo e a atenção dos investidores à disputa eleitoral — ressaltada pelo levantamento Datafolha divulgado na véspera — deixa o mercado em compasso de espera. Em resumo: a redução das taxas na curva alivia momentaneamente o movimento recente, mas o IPCA-15 e fatores externos complicam a narrativa de cortes rápidos da taxa básica e mantêm prêmio por risco elevado.