Em sessão de ajuste, as taxas dos DIs fecharam a sexta-feira em queda: o DI para janeiro de 2028 marcou 14,145%, recuo de 24 pontos-base ante o ajuste anterior de 14,383%, enquanto o DI para janeiro de 2035 caiu para 14,67% (baixa de 17 pontos-base). Durante o dia a taxa de 2028 chegou a tocar 14,120% (-26 pontos-base) às 15h07. Na semana, porém, os papéis acumulam ligeira alta, sinal de que a volatilidade persiste.

O movimento foi coordenado com o recuo dos rendimentos dos Treasuries e com a queda do petróleo após altas recentes. Investidores reagiram a uma combinação de notícias: relatos sobre o reforço de capacidade iraniana para pressionar rotas marítimas, ataques militares entre EUA e Irã, e passos diplomáticos que reduziram, momentaneamente, o prêmio de risco. No campo comercial, a decisão dos EUA de impor tarifas entre 10% e 12,5% a parceiros — com Brasil atingido por 12,5% além de medidas anteriores — acrescentou um elemento negativo ao quadro externo.

No Brasil, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, evitou aprofundar uma avaliação sobre até que ponto a alta do petróleo já está traduzida na inflação, dizendo apenas que a autarquia acompanha os desdobramentos e ressaltando que o país é exportador líquido do produto. Em evento em São Paulo, Galípolo destacou resiliência da economia e do mercado de trabalho, mas reforçou que a combinação de choques exige juros em patamar restritivo por mais tempo e que é difícil separar efeitos de oferta dos de demanda.

O episódio demonstra que, apesar do alívio do dia com a queda do petróleo, os riscos externos continuam a condicionar a curva de juros e a agenda do Copom. Com o Fed prestes a decidir sua taxa e opções na B3 indicando probabilidade relevante de um corte da Selic em agosto, o Banco Central enfrenta um dilema: qualquer novo repique nos preços de commodities ou escalada geopolítica pode anular ganhos temporários e obrigar manutenção de juros elevados, preservando custo de financiamento para setor público e economia real.