Os contratos de juros futuros fecharam em queda firme pela terceira sessão consecutiva, com perdas próximas a 10 pontos-base em boa parte da curva. No ajuste do pregão, o DI para janeiro de 2027 oscilou entre 13,568% e 13,575%; o DI jan/2029 foi a 13,885% (de 13,971%) e o prazo 2031 recuou para 14,145% (ante 14,235%). O movimento reduziu prêmios de risco, mas as taxas permanecem em patamar elevado.
Do lado externo, a T-Note de 10 anos cedeu, passando de cerca de 4,784% para 4,77% num momento em que dirigentes do Fed sinalizaram que sinais de desinflação podem justificar manutenção das taxas no curto prazo. Gestores apontam ainda que rumores sobre eventual intervenção do Japão no câmbio e o alívio global nas curvas de juros ajudaram a empurrar os retornos para baixo.
No plano doméstico, o mercado atribui parte da descompressão ao chamado 'trade' eleitoral. Pesquisas recentes mostraram um segundo turno tecnicamente apertado — com levantamento Futura indicando empate técnico entre os candidatos e outro, PoderData/Aya, dando pequena vantagem numérica a um dos postulantes — e isso tem sido lido como aumento da probabilidade de mudança de sinal fiscal em 2027. Consultores e gestores destacam que as expectativas eleitorais, combinadas com dados macro mais brandos, vêm recalibrando a trajetória da política monetária.
A leitura pragmática é dupla: há espaço para alívio momentâneo das taxas, mas o custo do crédito na economia e o dispêndio do setor público seguem altos. Se o mercado realmente precificar uma agenda fiscal mais vigorosa em 2027, isso tende a reduzir prêmio de risco no médio prazo — o que, por sua vez, pressiona o governo a apresentar sinais críveis de controle das contas. A volatilidade dependerá, portanto, tanto da evolução das sondagens quanto de novos sinais vindos de inflação e dos bancos centrais externos.