Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) registraram pequenas altas nesta quinta-feira após o Banco Central divulgar um IBC‑Br de fevereiro acima das expectativas. Às 10h22, o DI janeiro/2028 chegou a 13,37% (alta de 3 pontos‑base) e o DI janeiro/2035 marcou 13,52% (também +3 pb). No âmbito internacional, o rendimento do Treasury de dez anos permanecia estável em torno de 4,278%, refletindo um humor mais calmo fora do Brasil.
O IBC‑Br avançou 0,6% na passagem de janeiro para fevereiro na série com ajuste sazonal, acima da mediana de economistas consultados, que projetavam cerca de 0,47%. Na comparação anual sem ajuste, houve recuo de 0,3% ante fevereiro de 2024, e o índice acumulou alta de 1,9% nos 12 meses até fevereiro. O número mostra uma atividade levemente mais aquecida do que o mercado esperava para o mês.
Na prática, dados de atividade um pouco melhores reduzem o espaço percebido para cortes rápidos da Selic, hoje em 14,75% ao ano. O mercado já vinha precificando reduções graduais após a queda de 0,25 ponto percentual em março, mas a leitura do IBC‑Br tende a sustentar taxas levemente mais altas, em especial nos vencimentos a partir de 2028.
As opções de Copom negociadas na B3 evidenciam essa tensão: na última terça-feira as probabilidades de um corte de 25 pontos‑base no fim do mês estavam em 74,50%, contra 17% de chance de um corte maior de 50 pb. Em 6 de abril esses percentuais eram mais favoráveis a mudanças maiores (55% e 21,1%, respectivamente), sinalizando que a sequência de dados econômicos tem refeito apostas sobre ritmo e amplitude das reduções.
O efeito sobre a economia e a política econômica é pragmático: embora as movimentações nas curvas tenham sido moderadas, a combinação de atividade acima do previsto e expectativa de manutenção de juros em patamar elevado encarece crédito, limita margem de manobra do Banco Central e complica a narrativa de alívio monetário que poderia impulsionar consumo e investimento. Para o governo e para o mercado, o sinal é claro: cortes mais agressivos exigiriam leitura consistente de desaceleração futura.