Depois do movimento de queda da semana anterior, o mercado financeiro registrou alta nas taxas dos contratos DI nesta terça-feira pós-feriado. Em destaque, o DI com vencimento em janeiro de 2028 subiu para cerca de 12,70%, com elevação de dezenas de pontos-base ante o ajuste anterior; na ponta mais longa, o DI para 2035 também avançou na casa dos 12,5%. Diversos vencimentos tiveram variações acima de 20 pontos-base, refletindo maior aversão a risco por parte dos investidores.
O gatilho imediato foi a divulgação de pesquisas de intenção de voto para o segundo turno. O levantamento BTG/Nexus apontou 48% para Flávio Bolsonaro e 45% para Lula, com margem de erro de dois pontos percentuais, enquadrando os resultados como empate técnico. Outro estudo, da PoderData/Aya, trouxe números similares, com empate dentro da margem de erro de 1,8 ponto. A leitura do mercado é que a indefinição eleitoral aumenta a volatilidade e reduz a confiança na direção das políticas econômicas futuras.
Na prática, parte dos agentes aproveitou a recomposição para realizar lucros que haviam comprimido prêmios na curva na semana anterior — quando a possibilidade de um governo mais alinhado ao controle fiscal havia reduzido o prêmio por risco e pressionado o dólar para baixo. O movimento desta terça ocorreu apesar de sinais externos mais favoráveis: os Treasuries de longo prazo e o petróleo Brent operavam em baixa, o que aponta para fatores domésticos como principal causa do ajuste.
Além do quadro eleitoral, a manhã trouxe um pacote de medidas do governo direcionado a microempreendedores individuais — entre elas, o perdão de dívidas tributárias que, se aprovado no Congresso, representará R$ 12,6 bilhões de redução nominal de passivos de MEIs. A proposta também prevê compra de dívidas privadas e repasses para investimentos nos negócios. Para os mercados, a combinação entre incerteza eleitoral e iniciativas fiscais com custo explícito adiciona uma camada de pressão sobre a percepção de responsabilidade fiscal, elemento central para cortes de juros sustentáveis.
O conjunto de sinais — pesquisas com empate técnico e medidas fiscais de impacto — complica a narrativa de queda imediata da Selic e eleva o prêmio cobrado pelos credores na curva de DIs. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a cena política seguirá sendo determinante para a formação de preços no mercado de juros; investidores e formuladores de política precisam de sinais mais claros sobre o ajuste das contas públicas para que a trajetória de cortes de juros volte a ganhar credibilidade.