As taxas dos contratos de DI fecharam em alta nesta quinta-feira, pressionadas pelo avanço dos rendimentos externos. O DI para janeiro de 2028 terminou em 13,675% — alta de 10 pontos-base sobre o ajuste anterior de 13,573% — e o DI de janeiro de 2035 ficou em 14,065% (+3 pontos-base). No intradiário, a taxa de 2028 oscilou entre mínima de 13,550% e máxima de 13,685%, em ritmo coordenado com as máximas dos Treasuries.

No exterior, o rendimento do Treasury de 30 anos alcançou o maior nível desde 2004, enquanto o título de 10 anos avançou a 5,187% e o de 30 anos a 5,473% (dados de 16h33). A alta nas taxas norte-americanas e o salto do petróleo Brent (US$107,43 o barril, +4,22%) refletiram temores de uma guerra prolongada no Oriente Médio e reacenderam apostas em novas altas pelo Federal Reserve, influenciando diretamente os prêmios domésticos.

Pela manhã, o Banco Central atualizou o Relatório de Política Monetária e revisou a projeção de crescimento do PIB de 2026 de 2,0% para 1,8%, além de projetar 1,4% para o ano seguinte. Em entrevista, Paulo Picchetti reforçou que o BC opera uma 'calibração' da Selic — hoje em 13,75% — e mantém uma postura de juros restritivos para ancorar a inflação. Apesar disso, a curva ainda precifica um corte de 25 pontos-base em novembro, condicionado ao desfecho eleitoral e ao cenário pós-eleitoral.

Para além do canal externo, riscos domésticos aumentam a incerteza: investidores acompanham a disputa presidencial — tecnicamente empatada nas pesquisas mais recentes — e notícias sobre a operação Carbono Oculto, que ampliam o ruído político e fiscal. No conjunto, a combinação de juros externos mais altos, revisão do BC e volatilidade política tende a elevar o custo do financiamento e a tornar mais cauteloso o ambiente para cortes da Selic no curto prazo.