Os contratos de juros futuros fecharam a sessão com alta consistente, com elevações acima de 20–30 pontos-base em alguns vencimentos. No fim do pregão pré-feriado, a referência para janeiro de 2028 avançou fortemente, e a ponta longa da curva também alimentou a alta, sinalizando aversão maior a risco entre os investidores.

O movimento ocorreu após o IBGE divulgar que a produção industrial subiu mais do que o mercado esperava — leitura que reforça a conclusão de que a atividade continua aquecida e pode pressionar preços. Em sequência, bancos e corretoras, incluindo XP e BTG, ajustaram para cima as projeções de inflação e elevaram suas estimativas para a Selic em prazos médios.

Além do quadro doméstico, a proposta do USTR de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros e as recentes designações e menções envolvendo organizações criminosas aumentaram o mal-estar. O anúncio das tarifas, ainda sujeito a aprovação, foi criticado pelo presidente, e o episódio ganhou tom político após o encontro entre figuras do cenário brasileiro e autoridades nos EUA.

Fatores externos também pesaram: alta nos Treasuries e no petróleo diante de novos episódios entre EUA e Irã deixou os mercados mais cautelosos. No conjunto, o salto das taxas reduz o espaço para a agenda de cortes da Selic, acende alerta sobre custo do financiamento e complica a narrativa oficial de normalização monetária sem consequências para a inflação.