Os juros futuros fecharam em alta pela quinta sessão seguida após a divulgação de um payroll nos EUA bem acima do esperado. O Departamento do Trabalho americano informou criação de 172 mil vagas em maio, ante projeção de 85 mil, e revisão elevada para abril — cenário que empurrou os rendimentos dos Treasuries para cima e reforçou apostas de juros americanos mais altos, segundo a ferramenta CME FedWatch.
No mercado doméstico, a curva de DIs refletiu o choque externo e fatores locais: o DI jan/2028 terminou em 14,645% (alta de 27 pontos-base) e o DI jan/2035 fechou em 14,655% (+21 pontos). Durante a sessão, ambos atingiram máximas ainda maiores. As NTN‑B também seguiram elevadas; a taxa real da NTN‑B 2035 negociada estava em 7,65%, abaixo dos 8% observados na quarta-feira, mas ainda pressionada.
Analistas ouvidos e grandes bancos já vêm ajustando prognósticos após o PIB robusto do 1º trimestre: instituições como Itaú, XP, BTG e C6 elevaram suas projeções de inflação e Selic, e o BofA revisou sua expectativa de Selic para 14,25% no fim do ano, frente a 13,25% anteriormente — implicando menos espaço para cortes. O movimento expõe aumento do custo do risco soberano, enfraquecimento do real e pressiona o balanço fiscal, elevando a conta de juros do governo.
A combinação de uma economia doméstica mais resiliente, estímulos fiscais e a elevação das yields globais complica a narrativa oficial de alívio monetário rápido e acende alerta para maior volatilidade no curto prazo. Investidores agora monitoram novos dados de emprego nos EUA, decisões do Fed e indicadores locais que podem confirmar a tendência de taxas mais altas.