O custo médio da dívida pública federal atingiu 12,68% ao ano em junho, o nível mais alto desde setembro de 2016, segundo o relatório de estatísticas fiscais do Banco Central. No mesmo mês o setor público consolidado registrou déficit superior a R$ 55 bilhões. O resultado negativo foi puxado pelo governo central (cerca de R$ 47 bilhões); estatais e governos regionais responderam por R$ 1,5 bilhão e R$ 6,6 bilhões de déficit, respectivamente.
Os juros aparecem como principal motor da deterioração: apenas em junho os encargos chegaram a R$ 110 bilhões, e a soma entre diferença de receita e despesa mais juros elevou o rombo primário do mês para R$ 166 bilhões. Em doze meses, a despesa com juros já supera a marca de R$ 1 trilhão, um peso crescente sobre a necessidade de rolagem da dívida.
A dívida bruta do governo geral subiu para cerca de 81,9% do PIB, ou cerca de R$ 10,8 trilhões — patamar próximo ao observado em 2021. Naquele período a Selic foi reduzida a níveis inéditos, o que favoreceu queda da relação dívida/PIB em 2022. Desde então, contudo, o aumento dos gastos e a alta de juros (que chegou a 15% ao ano em meses recentes) recolocaram a trajetória de dívida em curva ascendente. Projeções de mercado mantêm a Selic em dois dígitos por anos à frente, e há cenários técnicos que apontam relação dívida/PIB acima de 83% no curto prazo e até 100% no horizonte de 2027.
O quadro combina custo alto de financiamento com necessidade contínua de emitir dívida para cobrir déficits — uma dinâmica que pressiona a sustentabilidade fiscal. A conta tende a recair sobre prioridades orçamentárias, exigirá medidas de ajuste ou aumento de receitas e aumentará o risco político para o governo. Em termos práticos, a manutenção de juros elevados torna essencial revisar gastos permanentes herdados da pandemia, melhorar eficiência administrativa e recuperar uma narrativa fiscal crível para reduzir o custo de rolagem da dívida.