Em entrevista ao programa Capital Insights, o CEO da ABBC, Leandro Vilain, reforçou um diagnóstico simples e com impacto direto na vida de empresas e famílias: a queda dos juros só se transforma em alívio real se vier acompanhada de um ambiente macroeconômico crível. Vilain lembrou que o Brasil convive há cerca de três a quatro anos com taxas relativamente elevadas, um movimento que acompanhou política monetária adotada em várias economias para proteger suas moedas.

Para o executivo, uma trajetória de redução das taxas de juros traria benefícios palpáveis: menos pressão sobre o fluxo de caixa de empresas, menor comprometimento da renda das famílias e, consequentemente, condições melhores para investimento e consumo. Mas ele fez um alerta técnico importante: a simples redução da taxa básica não basta se o mercado continuar a precificar risco futuro. Se os juros futuros subirem, o efeito expansivo da queda nas taxas de curto prazo fica comprometido.

É aí que entra a política fiscal. Vilain apontou a necessidade de construir um ambiente local que dê ao Comitê de Política Monetária margem para reduzir juros sem provocar volatilidade nos contratos de juros futuros — atualmente sensíveis a qualquer sinal de fragilidade fiscal. Segundo o executivo, existe hoje percepção no mercado de um risco fiscal crescente nos próximos anos, e essa percepção se traduz imediatamente nas taxas DI futuro, reduzindo o espaço para uma queda limpa e sustentada dos juros.

O recado tem implicações políticas e econômicas claras: a possibilidade de aliviar o endividamento depende menos de uma decisão isolada do Banco Central e mais da combinação entre política monetária e responsabilidade fiscal. Sem sinais de ancoragem das contas públicas, a redução de juros pode ser frustrada pela reação dos mercados, deixando empresários e famílias sem o alívio prometido. Em suma, o corte de taxas é viável — desde que venha acompanhado de credibilidade fiscal.