Os juros futuros domésticos registravam recuo nesta manhã, em reação direta à queda do petróleo Brent para patamar inferior a US$ 80 por barril e ao movimento de baixa nos mercados externos. A combinação reduz o risco de alta adicional da inflação via energia e ameniza parte da pressão sobre a curva nominal de juros no Brasil.

O ambiente externo também foi determinante: dólar e yields dos Treasuries recuaram diante da expectativa de assinatura de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã até o fim de semana, leitura que afeta prêmios de risco globais e, por tabela, os ativos domésticos. Internamente, os dados do varejo — restrito e ampliado — vieram próximos ao piso das projeções, reforçando a sinalização de atividade mais fraca do que o esperado.

Na praça, às 9h40, a taxa do DI para janeiro de 2027 estava em 14,210%, ante 14,250% no ajuste anterior. O DI com vencimento em janeiro de 2029 marcava 14,245%, de 14,329%, e o de janeiro de 2031 passou para 14,175%, de 14,251% anteriormente. Movimentos modestos, mas consistentes com um dia em que o exterior ditou o ritmo.

Para além do alívio imediato nas taxas, a leitura é de que a folga pode ser temporária: a trajetória dos juros no médio prazo seguirá condicionada às leituras de inflação, ao comportamento do petróleo e às incertezas geopolíticas. No plano doméstico, vendas no varejo mais fracas aliviam pressões inflacionárias, mas também acendem alertas sobre recuperação da atividade e receitas fiscais, fatores relevantes para toda a cadeia de decisão econômica.