As taxas de juros futuros no Brasil fecharam em alta nesta segunda-feira (28), com avanço em toda a curva a termo. O DI para janeiro de 2028 subiu para cerca de 13,655% (+2 pontos-base) e o DI para janeiro de 2035 foi a 14,03% (+6 pontos-base), refletindo tanto fatores externos quanto ruídos no cenário político doméstico.

No exterior, o barril do Brent manteve-se acima de US$ 105 devido às tensões nas negociações entre EUA e Irã, enquanto os rendimentos dos Treasuries de referência avançaram — o título de 10 anos ficou em torno de 5,24% (+6 pontos-base). Esses movimentos elevaram o custo de oportunidade e alimentaram pressão sobre ativos de países emergentes, incluindo o Brasil.

Em Brasília, duas pesquisas divulgadas nesta segunda deram tempero extra ao mercado: o levantamento BTG/Nexus apontou Lula com 46% e Flávio Bolsonaro com 44% no segundo turno (dentro da margem de erro de 2 pontos), e a Quaest mostrou empate técnico, com ambos em 42%. A combinação de leve oscilação nas intenções de voto e a proximidade do pleito tende a aumentar a aversão ao risco, sobretudo diante de dúvidas sobre o tratamento das contas públicas por cada candidato.

Dados locais também pesaram: o Tesouro informou que a dívida pública atingiu R$ 9,293 trilhões em agosto, com mais de metade dos papéis atrelados a taxas flutuantes. O boletim Focus elevou expectativas de inflação para 2026 e manteve projeções de Selic altas (medianas de 13,50% para este ano e 12,00% para o próximo). No conjunto, a leitura é clara: incerteza externa e eleitoral, somadas a preocupações fiscais, empurram pra cima os juros e complicam a agenda de estabilidade macroeconômica.