O Brasil foi o mercado que mais avançou no consumo de cosméticos coreanos: as vendas em valor cresceram 135% no último ano, aponta levantamento da consultoria NIQ. No recorte global, a K-beauty subiu 131% em dois anos, com a América Latina se destacando — México e Brasil aparecem como principais vetores do crescimento regional.
Máscaras faciais, adesivos para acne, séruns e ampolas deixaram de ser nicho e entraram na rotina de cuidados. A NIQ atribui o avanço à combinação de preço acessível, performance percebida e inovação nas fórmulas; consultorias brasileiras e executivas do setor também destacam o papel da difusão cultural — doramas e K-pop ajudaram a impulsionar a curiosidade e a adoção dos produtos.
A aceleração da K-beauty tem efeitos econômicos concretos: amplia a concorrência por preço e tecnologia, pressiona margens de fabricantes locais e força redes de varejo a renovar sortimento com maior rapidez. Mercados como Europa e América do Norte também registraram altas relevantes (58% e 53%, respectivamente), mas o ritmo na América Latina indica mudança estrutural no comportamento do consumidor regional.
Para fabricantes e distribuidores brasileiros, o desafio é claro: investir em inovação, logística e comunicação para manter participação sem depender apenas da redução de preços. Ao mesmo tempo, a expansão traz oportunidade para marcas nacionais que conseguirem incorporar diferenciais técnicos e lançar produtos alinhados às preferências locais, como itens para bem‑estar e cuidados capilares — as próximas tendências apontadas pela NIQ.
Do ponto de vista institucional, o movimento sugere que políticas de apoio à cadeia industrial e maior atenção a regulações sobre ingredientes e rotulagem podem ganhar importância, para preservar concorrência leal e segurança do consumidor. No curto prazo, o fenômeno K‑beauty redesenha parte do mercado de beleza no Brasil: é chance de modernização para quem se adaptar e alerta para quem mantiver ritmo conservador.