O prêmio Nobel de Economia Paul Krugman afirmou que a nova rodada de tarifas anunciada pela Casa Branca repete uma estratégia já vista — e com poucas chances de sobreviver ao escrutínio judicial. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) abriu investigação contra União Europeia, Japão e Brasil, alegando falhas no combate ao trabalho forçado como justificativa para sobretaxas. Para Krugman, a razão invocada é insustentável e serve de pretexto para ampliar barreiras comerciais.

O argumento jurídico encampado pela administração dos EUA tem sido, segundo o economista, interpretado de forma muito ampla; parte das tarifas anteriores já foi derrubada pela Suprema Corte norte-americana. Na avaliação dele, a manobra repete tentativas de buscar sucessivas justificativas legais para manter políticas que, na prática, foram incapazes de cumprir os objetivos declarados, como a recriação de empregos industriais nos EUA. A medida também é amplamente impopular: pesquisa Harris Poll indica ampla percepção entre eleitores de que as sobretaxas elevaram preços ao consumidor.

O caso tem impacto direto para o Brasil. O USTR enquadrou produtos brasileiros na faixa mais alta de sobretaxa, de 12,5%, enquanto recomendações adicionais de até 25% e alertas da Amcham sobre tarifas acumuladas de até 37,5% expõem exportadores a perda de competitividade e a risco de encarecimento de cadeias de valor. O cenário tende a pressionar setores exportadores, apertar margens e gerar incerteza para investimentos, além de exigir respostas na esfera diplomática e comercial por parte do governo brasileiro.

Politicamente, a continuidade da pauta tarifária reflete um cálculo doméstico: admitir fracasso seria politicamente custoso para a administração que a promove. Ainda assim, a combinação de derrotas judiciais, reação de parceiros e custo para consumidores amplia desgaste e complica a narrativa oficial. A crítica de Krugman, mais do que uma opinião, acende alerta sobre o custo político e econômico de recorrer de forma repetida a medidas unilaterais que tensionam regras e relações comerciais internacionais.