A Latam inicia no segundo semestre a entrega dos primeiros jatos Embraer para a filial brasileira com a ambição anunciada de expandir a malha — a empresa chegou a citar a possibilidade de incluir até 35 novos destinos. Mas o contexto mudou: a guerra no Oriente Médio levou a saltos no preço do petróleo e ao repasse do custo para tarifas, obrigando a companhia a ajustar planos originalmente mais agressivos.
O CEO Roberto Alvo descreve os aparelhos brasileiros como um 'coringa dimensional': além de abrir cidades hoje não atendidas, os jatos menores permitem calibrar rotas existentes, reduzindo ou aumentando frequências com mais precisão. A estratégia busca preservar a integridade da rede sem abandonar mercados, priorizando previsibilidade para o passageiro em vez de cortes definitivos de destinos.
O choque sobre o querosene é um fator decisivo. Alvo afirmou que o combustível já chegou a registrar aumentos muito elevados em casos recentes e hoje responde por cerca de 30% do custo da companhia. O efeito imediato tem sido reajuste de tarifas — observadas em patamares semelhantes aos reportados pelo setor — e redução de frequências, medidas apontadas como preferíveis a encerrar rotas.
Para a Latam, que saiu de um processo de recuperação e vem registrando resultados melhores nos últimos trimestres, a combinação de frotas menores e eficiência operacional é a resposta para proteger margens. Resta ver se a solução técnica se traduzirá em alívio para o consumidor: menos oferta por trecho pode sustentar preços mais altos, mesmo quando a empresa justifica a medida pela necessidade de equilibrar custos.