O Grupo Latam anunciou lucro líquido de US$ 576 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 62,1% na comparação anual. O Ebitda ajustado chegou a US$ 1,3 bilhão, um avanço de 36,7% em doze meses, mesmo com um impacto estimado de cerca de US$ 40 milhões devido ao aumento dos preços do combustível.
A companhia gerou US$ 391 milhões em caixa e manteve liquidez total acima de US$ 4,1 bilhões — equivalente a 27% da receita dos últimos 12 meses. No plano operacional, a oferta de assentos subiu 10,4% e o grupo transportou 22,9 milhões de passageiros, crescimento de 9,1% ante o 1º trimestre de 2025; o fator de ocupação consolidado ficou em 85,3%. As afiliadas de carga movimentaram mais de 250 mil toneladas, impulsionadas pela temporada de flores da Colômbia e do Equador para os EUA.
Em nota, o CFO Ricardo Bottas afirmou que o avanço do segmento premium e a disciplina de custos deram flexibilidade para lidar com a volatilidade do combustível. O diagnóstico é plausível: a combinação de maior receita, margens ampliadas e caixa robusto reduz riscos no curto prazo e dá espaço para decisões estratégicas.
Porém, a própria divulgação traz o alerta. O efeito direto de US$ 40 milhões por conta do combustível expõe o setor à oscilação de preços e pressiona a manutenção das margens caso o petróleo volte a subir. Para investidores e gestores, o desafio passa a ser converter a recuperação operacional em ganho de produtividade sustentável, sem depender exclusivamente do ciclo positivo da demanda internacional.