A Lego anunciou o maior set de sua história: uma réplica em miniatura da Sagrada Família, de Barcelona, composta por 12.060 peças e com 62 centímetros de altura montada. O conjunto chega com preço de US$ 799 e já está em pré-venda, com disponibilidade prevista para 1º de novembro. A peça integra a linha de monumentos em miniatura da fabricante — que inclui, entre outros, a Torre Eiffel e o horizonte de Nova York — e sai para marcar o centenário da morte do arquiteto Antoni Gaudí.
Do ponto de vista de produto, a novidade reafirma a estratégia da Lego de mirar no público adulto colecionador (AFOL), com ofertas de alto valor unitário e alto grau de complexidade — o conjunto traz efeitos que reproduzem vitrais e detalhes arquitetônicos, segundo a empresa. Rok Žgalin Kobe, do design da Lego, afirmou que a intenção foi traduzir a complexidade e o ritmo da obra de Gaudí em uma experiência de construção imersiva, preservando o respeito à visão original.
Economicamente, o lançamento tem dupla leitura. Para a Lego, conjuntos premium elevam o ticket médio e ampliam margens; para consumidores, o preço em dólar soma-se a potencial subida por câmbio, frete e tributos na importação, o que tende a limitar a demanda em mercados como o brasileiro. Em valores nominais, a fabricante descreve o custo como equivalente a pouco mais de R$ 4.000, cifra que pode subir na prática quando entram custos adicionais.
Há também dimensão simbólica: a réplica chega num momento em que a própria Sagrada Família ganhou visibilidade internacional após a conclusão simbólica da torre dedicada a Jesus no início do ano, exatamente 100 anos após a morte de Gaudí. Para o setor de brinquedos e para varejistas de artigos de colecionador, o set oferece oportunidade comercial — mas também impõe desafio de preços e público, especialmente em contextos de consumo mais contido.