A Livelo anunciou que pretende incluir fornecedores de utilities — como água e energia — entre os parceiros que concedem pontos a clientes que pagam contas em dia. Segundo o CEO André Fehlauer, a empresa faturou R$ 6,5 bilhões em 2025 e mira R$ 11 bilhões em quatro anos, estratégia que passa pela ampliação de parceiros e pela transformação do uso de pontos em moeda para o consumidor.

A aposta pode ampliar a relevância do programa: a companhia já reúne mais de 600 parceiros e atua em cerca de 85% do e‑commerce brasileiro. Ainda assim, integrar pagamentos de serviços públicos implica negociações complexas com concessionárias e potencial impacto nas margens dos parceiros, além de custos de implementação e aquisição de clientes para reduzir o desconhecimento sobre o produto.

A empresa também intensifica o uso de inteligência artificial — Fehlauer afirma que cerca de 85% dos funcionários usam IA no dia a dia e que agentes virtuais trocarão informações entre cliente e plataforma. O movimento reforça a necessidade de investimentos em segurança de dados e compliance, já que maior uso de dados e integração entre sistemas eleva a superfície de risco e o escrutínio regulatório.

O pedido por cautela vem do próprio mercado: transformar pontos em hábito financeiro exige educação do consumidor e campanhas robustas. A possibilidade de abertura de capital permanece em aberto — 'ainda não', disse o CEO — e o cumprimento da meta de R$ 11 bilhões dependerá tanto da capacidade de firmar parcerias quanto de conter custos operacionais e provar que o modelo é sustentável ao longo do tempo.