O Federal Reserve informou, no último Livro Bege divulgado nesta quarta-feira (3), que a atividade econômica dos Estados Unidos mostrou aumento nas últimas semanas, enquanto o nível de emprego permaneceu praticamente inalterado. O documento — compilado a partir de relatos dos 12 distritos do banco central — destaca que os custos relacionados à energia, associados ao conflito no Oriente Médio, foram o principal fator de pressão inflacionária, com repercussões em transporte, embalagens, mantimentos e fertilizantes.
O relatório também registra que a medida de inflação acompanhada pelo Fed subiu de 3,5% em março para 3,8% em abril, e que a inflação permanece acima da meta de 2% há mais de cinco anos. Esse diagnóstico chega às vésperas da primeira reunião de política monetária sob o comando do novo chair Kevin Warsh, que assumiu no fim de maio, e pode fortalecer argumentos internos contra cortes imediatos na taxa de juros.
A mudança de tom dentro do Fed — de uma expectativa de redução das taxas para a possibilidade de manutenção por mais tempo, ou mesmo de alta adicional — tem implicações econômicas e políticas claras. Custos energéticos mais altos tendem a se transmitir a preços ao consumidor e a setores sensíveis, comprimindo renda disponível e enfraquecendo o argumento técnico para cortes. Politicamente, também limita espaço para pressões por alívio monetário rápido de atores que defendiam cortes imediatos.
O Livro Bege chega antes do relatório oficial de emprego de maio, cuja taxa de desocupação os economistas consultados esperam em 4,3%. Para formuladores e mercados, o levantamento qualitativo reforça que pressões externas — sobretudo a elevação do preço da energia — complicam a narrativa pró-corte e podem obrigar o Fed a manter postura mais cautelosa nos próximos meses.