Long & Short é uma estratégia que vai além da aposta simples na valorização de um papel. Em vez de depender só de ficar “long” (comprado), o investidor ou gestor monta simultaneamente posições long em ativos que acredita que vão se valorizar e posições short em papéis que julga que terão desempenho inferior. O tema foi apresentado no quadro Papo de Investidor, do Resenha do Dinheiro, com analistas que destacaram a natureza híbrida da operação.

O objetivo é capturar a diferença de desempenho entre ativos — por exemplo, comprar ações de uma empresa que se espera superar seus pares e vender a descoberto ações de outra do mesmo setor. Se a seleção estiver correta, a operação gera resultado positivo mesmo que o mercado como um todo não suba. Fundos especializados podem adotar só posições long ou combinar long e short, cabendo ao gestor escolher ativos e calibrar o balanço entre exposição direcional e hedge.

A estratégia, porém, não elimina riscos: a posição vendida carrega perda potencial teoricamente ilimitada, porque o preço do ativo pode subir além do esperado. Além disso, Long & Short exige acompanhamento constante, disciplina para ajustar posições e competência do gestor para identificar pares e gerir risco. Não é uma alternativa “melhor” por definição — seu desempenho depende da habilidade em leitura de mercado e da execução, e pode ser menos adequada a investidores que buscam simplicidade ou baixa volatilidade.

Para o investidor pessoa física, o acesso costuma ocorrer via fundos, onde taxas, política de alavancagem e critérios de seleção importam tanto quanto a ideia estratégica. A recomendação dos especialistas é clara: entender a mecânica, avaliar custos e o histórico do gestor antes de optar pela estratégia. Em resumo, Long & Short amplia oportunidades, mas também exige capital intelectual e operacional que nem todos os investidores têm — e a conta pode sair cara se a gestão falhar.