A longevidade financeira ganhou destaque durante a Semana Nacional de Educação Financeira, realizada de 18 a 24 de maio. Com aumento da expectativa de vida, especialistas dizem que o planejamento não pode se limitar ao momento da aposentadoria: é preciso garantir renda e preservação do patrimônio por décadas. O debate reuniu educadores e gestores que defendem mudança de horizonte e hábitos de poupança entre os brasileiros.

Na avaliação de Thiago Godoy, apresentador do programa Resenha do Dinheiro, pensar apenas nos movimentos de curto prazo do mercado é insuficiente para quem terá décadas de vida após os 60 anos. Ele alerta que instrumentos tradicionais, como a poupança, tendem a comprometer a acumulação de recursos no longo prazo, diante de alternativas mais eficientes — como títulos públicos atrelados à taxa básica e CDBs competitivos — que aproveitam melhor o efeito dos juros compostos.

Bernardo Pascowitch, do Yubb, reforça outro ponto central: a inflação deve entrar na conta do planejamento. A persistência inflacionária corrói poder de compra e exige opções com retorno real positivo. Para jovens, a recomendação é incluir parcela de renda variável — ações, fundos e outros ativos com maior volatilidade — justamente para buscar valorização patrimonial ao longo de décadas. O diagnóstico une defesa de diversificação e de escolhas alinhadas ao horizonte temporal do investidor.

A participação de instituições como B3 e BlackRock no programa é sinal de que o mercado busca ampliar a educação financeira. Ainda assim, especialistas e jornalistas alertam que sem uma política pública consistente de formação financeira e sem mudanças na cultura de reserva, muitos brasileiros podem chegar à terceira idade com perda de qualidade de vida. O desafio é duplo: ampliar o acesso a alternativas de investimento e elevar a capacidade da população de tomar decisões informadas — um imperativo com consequências econômicas e fiscais reais.