A Saudi Aramco anunciou lucro líquido de US$ 32,5 bilhões no primeiro trimestre, um avanço de cerca de 25% ante o ano anterior e acima da estimativa consensual da LSEG, de US$ 30,95 bilhões. A receita somou US$ 115,49 bilhões, quase 7% a mais, sustentada por preços mais altos e elevação nos volumes vendidos tanto de petróleo bruto quanto de derivados e químicos.

A empresa atribuiu parte da resiliência operacional à plena utilização do oleoduto Leste-Oeste, que tem permitido driblar as restrições ao tráfego imposta no Estreito de Ormuz. Em resposta ao bloqueio iraniano — em meio às tensões regionais envolvendo EUA, Irã e o conflito que também envolve Israel — a Aramco redirecionou fluxos para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, mantendo exportações e suprimento para refinarias na costa oeste.

O oleoduto pode abastecer cerca de 2 milhões de barris por dia para refinarias ocidentais da Arábia Saudita, liberando cerca de 5 milhões de barris diários para exportação. Durante a crise, a produção saudita chegou a ser reduzida em 2 milhões de barris por dia, segundo os dados divulgados, o que mostra como gargalos logísticos e riscos navais ainda moldam decisões de oferta no mercado global.

Para o mercado, o resultado da Aramco confirma que grandes produtores conseguem amortecer choques geopolíticos com infraestrutura alternativa, limitando, em parte, aumentos mais fortes de preço. Ainda assim, a situação reforça a percepção de vulnerabilidade do abastecimento global a interrupções no tráfego marítimo e mantém prêmio de risco sobre o petróleo, com efeitos potenciais sobre inflação de energia e contas externas de países importadores.