Um levantamento da Elos Ayta mostra que os quatro maiores bancos privados listados na B3 — Itaú Unibanco, Bradesco, BTG Pactual e Santander Brasil — registraram lucro líquido conjunto de R$ 25,263 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O montante representa uma queda de 5,83% em relação aos R$ 26,828 bilhões do quarto trimestre de 2025, interrompendo uma sequência de oito trimestres consecutivos de alta. Foi a primeira retração desde o fim de 2023 e o maior recuo registrado desde então.
No detalhamento, o Itaú repetiu o resultado do trimestre anterior, encerrando com lucro de R$ 11,938 bilhões — o maior saldo trimestral já registrado por instituição da B3 — enquanto o BTG foi o único do grupo a avançar, com lucro de R$ 4,57 bilhões, alta de 4,08% frente ao trimestre anterior. Juntos, Itaú e BTG concentraram 65,3% do lucro consolidado dos quatro bancos. Ao incluir o Banco do Brasil, o total dos cinco maiores bancos listados chegou a R$ 28,353 bilhões, queda de 10,8% ante o quarto trimestre de 2025; o Banco do Brasil registrou lucro de R$ 3 bilhões, retração de 37,9% na comparação trimestral e 54,4% em doze meses.
Para a Elos Ayta, a desaceleração não altera o quadro estrutural de elevada rentabilidade do setor, mas evidencia uma crescente concentração dos resultados em instituições com maior eficiência operacional e modelos de negócios mais diversificados. O diagnóstico coloca o Itaú como referência de consistência e o BTG como o banco que mais vem ganhando escala e relevância no mercado privado.
O recuo, embora moderado frente a níveis historicamente altos de lucro, acende um alerta político e econômico: concentração de resultado pode pressionar competição, elevar exposição sistêmica e atrair maior escrutínio regulatório. A queda acentuada do lucro do Banco do Brasil também reabre o debate sobre eficiência e papel do banco estatal no ciclo econômico. Para governos e autoridades, os números reforçam a necessidade de atenção à dinâmica entre rentabilidade, crédito e custo do sistema para a sociedade.