O Bank of America apresentou lucro líquido de US$ 8,6 bilhões nos três meses encerrados em 31 de março, equivalente a US$ 1,11 por ação, contra US$ 7,4 bilhões (US$ 0,89 por ação) no mesmo período do ano anterior. O desempenho voltou a refletir maior dinâmica nos mercados e nas operações para clientes institucionais.

A unidade de banco de investimento do grupo teve receitas com taxas que subiram 21%, alcançando US$ 1,8 bilhão no trimestre — patamar bem acima da expectativa interna de aumento de 10%. A casa participou de várias transações de grande porte, como a compra da divisão de alimentos da Unilever pela McCormick (US$ 42,7 bilhões), a aquisição da Penumbra pela Boston Scientific (US$ 14,9 bilhões) e operações relevantes no setor de energia, incluindo a transação envolvendo Devon Energy e Coterra (US$ 26 bilhões).

Além das taxas, a maior volatilidade dos mercados elevou a atividade de trading, contribuindo de forma sensível para as receitas. A instituição também coordenou a listagem na Bolsa de Nova York de um fundo imobiliário focado em residências para idosos, reforçando a agenda de advisory como motor de ganhos no trimestre.

Em comunicado, o presidente-executivo Brian Moynihan afirmou que o banco segue vigilante quanto aos riscos, mas observa gasto do consumidor consistente e qualidade de ativos estável — fatores que, segundo a direção, apontam para uma economia americana resistente. A leitura é prudente, sem descartar a exposição do resultado à evolução dos mercados.

O quadro revela, porém, um ponto de atenção para investidores: a sensibilidade do lucro às receitas de taxas e à volatilidade. Se a atividade de M&A ou a oscilação nos mercados arrefecerem, parte do crescimento poderá se reverter. Para agora, o banco colhe o benefício de uma janela favorável de negócios, mas o desafio será converter esse desempenho em receita recorrente e menos dependente de ciclos.