A Embraer registrou lucro líquido ajustado de R$ 145,4 milhões no primeiro trimestre de 2026, contra R$ 299,9 milhões no mesmo período do ano anterior, segundo balanço divulgado ao mercado. No mesmo trimestre, o Ebitda ajustado subiu a R$ 749,4 milhões (ante R$ 631 milhões) e a receita cresceu para R$ 7,58 bilhões, de R$ 6,41 bilhões ano a ano.

O quadro é híbrido: desempenho operacional e de vendas melhorou, mas o lucro caiu significativamente — uma contradição que coloca em evidência fatores fora da operação recorrente. O relatório não altera o guidance para 2026, o que preserva a narrativa de crescimento, mas deixa em aberto o papel de itens não operacionais, custos financeiros ou provisões que podem ter pressionado o resultado líquido.

A companhia manteve estimativas para 2026: entregas de 80 a 85 aeronaves comerciais e 160 a 170 executivas; receita entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões; margem Ebit ajustada de 8,7% a 9,3% e fluxo de caixa livre ajustado mínimo de US$ 200 milhões. As projeções excluem o desempenho da Eve, a subsidiária de aeronaves elétricas (eVTOL), o que adiciona incerteza sobre o impacto de investimentos em mobilidade aérea emergente.

Do ponto de vista dos investidores e da gestão, a combinação de receita e Ebitda em alta com lucro em queda exige explicações claras sobre alocação de capital e disciplina financeira. A manutenção do guidance reduz o pânico imediato, mas fortalece a necessidade de acompanhamento do fluxo de caixa, das entregas previstas e dos efeitos contábeis que vêm pesando no resultado final — indicadores que decidirão se a empresa converte ganho operacional em retorno sustentável.