A Nintendo reportou nesta quinta-feira um salto de 151% no lucro operacional do trimestre abril–junho, para 142,6 bilhões de ienes (US$ 903,6 milhões). O desempenho ficou bem acima da média das 15 estimativas compiladas pela LSEG, que apontava para cerca de 70,3 bilhões de ienes, e foi atribuído à forte demanda por jogos para o Switch e o novo Switch 2, além de um reembolso relevante de tarifas sobre importações para os EUA.
A companhia contabilizou aproximadamente US$300 milhões como redução no custo de vendas em razão do reembolso dessas tarifas, que, segundo documento judicial citado pela própria imprensa, decorreu de decisões judiciais sobre cobranças anteriores. A Nintendo informou ainda que os valores das tarifas foram majoritariamente arcados pela empresa, e não repassados aos consumidores por meio de preços mais altos.
Apesar do trimestre robusto, a empresa manteve inalteradas suas metas para o ano fiscal encerrado em março de 2027: lucro operacional de 370 bilhões de ienes, venda de 16,5 milhões de unidades do Switch 2 e metas de software de 60 milhões para o Switch 2 e 105 milhões para o Switch. Analistas como Hideki Yasuda destacaram que as vendas trimestrais já representam mais de 20% da meta anual de hardware, sinalizando possibilidade de superar a previsão oficial.
O quadro, porém, tem nuances: as ações da Nintendo acumulam queda de 28% no ano, em contraste com avanço de 30% do índice Nikkei no mesmo período. O mercado segue preocupado com pressões de custo, especialmente a alta dos preços das memórias, e com a escassez de lançamentos de grande apelo de franquias como Super Mario e The Legend of Zelda. Em suma, o salto de lucro incorpora um componente não recorrente — o reembolso — e deixa em aberto a sustentabilidade da recuperação sem uma aceleração consistente nas vendas de software e controle de custos.