Os lucros das empresas industriais na China cresceram 21,1% em maio na comparação anual, segundo o Departamento Nacional de Estatísticas, numa desaceleração frente aos 24,7% de abril. No acumulado de janeiro a maio, o avanço foi de 18,8% ante o mesmo período do ano anterior, levemente acima dos primeiros quatro meses. O quadro revela uma economia que ainda depende da produção industrial e das exportações para sustentar o desempenho, diante de uma demanda interna fraca e de uma prolongada desaceleração no setor imobiliário.
A recuperação é, porém, profundamente desigual. Fabricantes de computadores, equipamentos de comunicação e eletrônicos registraram salto de 103,9% no lucro acumulado do ano — responsáveis por 43,1% do crescimento agregado — enquanto mineração e processamento de minérios de metais não ferrosos avançaram 93,9%. No lado oposto, montadoras viram lucros caírem 19,8% e fabricantes de móveis sofreram recuo de 58,4%. Analistas apontam que parte do ganho reflete melhora de preços ao produtor e um boom global em investimentos ligados à inteligência artificial, não uma reativação ampla do consumo doméstico.
O ambiente externo e os custos também complicam o quadro. A aceleração da inflação na porta de fábrica em maio — a maior em quase quatro anos — reduz margens e eleva incertezas. Além disso, o prolongamento de tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz, com episódios recentes entre Estados Unidos e Irã, acrescenta risco ao tráfego marítimo e aos preços de energia, fatores que podem cortar rentabilidade e afetar cadeias de exportação. Fontes informaram ainda que o banco central instruiu alguns bancos comerciais a ampliar empréstimos, sinalizando preocupação com a demanda por crédito.
Para os formuladores de política, o desafio é claro: estabilizar lucros e evitar que a recuperação seja concentrada e frágil sem ampliar custos fiscais desnecessários. Espera-se maior apoio direcionado a empresas em setores em consolidação e medidas para estimular consumo e crédito com prudência. A evolução da inflação ao produtor, do crédito e da situação imobiliária será determinante para avaliar se a economia chinesa transforma ganhos pontuais em retomada sustentada — ou se a dependência de alguns nichos tecnológicos deixará o crescimento vulnerável a choques externos.