Um novo relatório da Oxfam International projeta que seis das maiores empresas de combustíveis fósseis — Chevron, Shell, BP, ConocoPhillips, Exxon e TotalEnergies — deverão obter cerca de US$ 2.967 em lucros por segundo ao longo de 2026, totalizando algo próximo de US$ 94 bilhões. A cifra representa um salto relevante em relação a 2025 e coincide com uma escalada dos preços do petróleo após tensões no Golfo e restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz, que empurraram cotações para médias acima de US$ 100 por barril em março.

O impacto imediato recai sobre famílias: alta de combustíveis e energia pressiona a inflação e o custo de vida. A Oxfam e análises correlatas apontam que governos e consumidores sentem a pressão em diferentes regiões — de medidas de racionamento e cortes no fornecimento até a busca por maneiras de reduzir consumo. Nos Estados Unidos, por exemplo, o preço médio da gasolina voltou a ser apontado em patamares que agravam orçamentos já comprimidos por outros preços essenciais.

Além do ganho financeiro, o relatório destaca que os lucros não estão sendo canalizados em escala para acelerar a transição energética. Relatos e dados recentes mostram que algumas das maiores companhias reduziram metas e adiaram investimentos em energias de baixo carbono: a BP revisou para baixo investimentos previstos em renováveis, a Shell flexibilizou metas de 2030 e a Exxon limitou aportes anunciados para alternativas ao petróleo. Organizações como a Global Witness também já mapeavam lucros excepcionais do setor desde 2022.

O quadro traz implicações políticas e econômicas claras: concentrações extraordinárias de lucro em setores ligados a choques geopolíticos reabrem debates sobre medidas como taxação sobre ganhos inesperados, maiores exigências de transparência e instrumentos para proteger consumidores vulneráveis. As empresas consultadas pela reportagem não ofereceram comentários; o setor, representado por grupos como o American Petroleum Institute, afirma que análises desse tipo simplificam a dinâmica de mercado e não consideram custos reais da volatilidade, incluindo interrupções de produção e logística. Para leitores e decisores, os números funcionam como sinal de que lucros e impactos sociais exigem respostas públicas mais concretas.