O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória nesta sexta-feira suspendendo apostas esportivas no país — decisão tomada a nove dias da eleição e já recebida sob protesto por clubes que têm relação comercial com o setor. O governo qualificou a iniciativa como "medida social"; a oposição chamou o ato de "medida eleitoreira". Empresas e entidades do mercado afirmaram que vão recorrer à Justiça; apostadores têm até 5 de outubro para sacar saldos.

Os números oficiais do Ministério da Fazenda, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação e consolidados no SIGAP, mostram que entre janeiro de 2025 e junho de 2026 foram registrados mais de R$ 318 bilhões em depósitos nas plataformas — média de cerca de R$ 582 milhões por dia. Em 2025, os aportes somaram R$ 229,5 bilhões; só no primeiro semestre de 2026 foram R$ 88,5 bilhões, patamar que ainda preserva volume relevante apesar de retração recente.

A trajetória do mercado mostra alta durante 2025, com pico de R$ 22,6 bilhões em depósitos em outubro, seguida por queda até R$ 13,1 bilhões em junho de 2026 — recuo de aproximadamente 42% do pico ao último mês da série. Comparações entre semestres indicam uma desaceleração: cerca de 101 bilhões no primeiro semestre de 2025 ante 88,5 bilhões nos seis meses de 2026. O Ministério explica ter usado a métrica de depósitos por ser mais representativa da entrada efetiva de recursos; o total, porém, não equivale ao faturamento das empresas.

A iniciativa presidencial muda de forma abrupta o ambiente regulatório e econômico do setor, com efeitos imediatos sobre plataformas, clubes e patrocinadores. Além do contencioso judicial anunciado, a medida acende alerta sobre custos políticos e institucionais de uma intervenção tomada às vésperas da eleição, e coloca em debate a eficácia do acompanhamento do mercado feito pelo próprio governo nos últimos anos.