O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ter manifestado ao chefe de Estado do Uruguai, Yamandú Orsi, interesse em conhecer a experiência do país vizinho na regulamentação das apostas esportivas. A aproximação ocorreu na margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e sinaliza que o governo federal busca inspiração num modelo com restrições expressas ao mercado.

O regime uruguaio é marcadamente restritivo: não há abertura geral para operadores privados; toda marca precisa de autorização prévia do Estado. Um decreto de 2017 veda a prestação de serviços de jogos de azar e apostas online sem autorização, e a exploração exige concessão específica, incluindo a autorização do próprio canal ou modalidade de comercialização. Esse enquadramento provocou debate entre operadores e clubes uruguaios, sobretudo em competições internacionais.

No encontro em Nova York, além das apostas, Lula e Orsi trataram de temas bilaterais como integração regional, segurança contra desinformação, comércio e infraestrutura. Lula também registrou nas redes agradecimento pela autorização de uso do excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China e citou a intenção de avançar em projetos como a ponte binacional sobre o rio Jaguarão.

Fontes governistas informaram à imprensa que o Executivo prepara uma medida provisória para restringir a atuação das bets no Brasil. Auxiliares avaliam impactos e não descartam proibições de segmentos — menções específicas citam cassinos online e produtos conhecidos no mercado nacional — enquanto outra ala prefere medidas mais focadas no combate ao mercado ilegal. O Ministério da Fazenda figura entre os resistentes a intervenções mais duras. Estudos citados por auxiliares, como levantamento da Stone, associam apostas ao aumento do risco de inadimplência em grupos vulneráveis, até 40% em cenários apontados pelo relatório.

A movimentação mistura razões sanitárias, eleitorais e econômicas. A promessa de campanha de Lula — “eu vou acabar com as bets” — amplia a pressão política por ação rápida, mas a divergência técnica com a Fazenda e os efeitos sobre receitas e contratos do setor apontam para um processo legislativo tortuoso. Para além do simbolismo, qualquer mudança terá de equilibrar proteção social, combate ao mercado ilegal e segurança jurídica para evitar conturbações no mercado e litígios, enquanto operadores, clubes e legisladores calculam custos e estratégias.