Em visita à Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou medidas ambientais adotadas unilateralmente pela União Europeia que, na avaliação dele, correm o risco de desnivelar o acordo comercial com o Mercosul. A declaração foi dada em coletiva em Hannover, onde participou de agenda com o chanceler alemão Friedrich Merz, e ocorre a pouco mais de uma semana da entrada parcial em vigor do tratado, prevista para 1º de maio.
Lula disse concordar com metas de descarbonização e preservação ambiental, mas contestou métricas e exigências que, segundo o Palácio, não refletem a realidade nem respeitam regras multilaterais. O presidente advertiu que medidas restritivas por parte da UE podem funcionar como barreiras não-tarifárias, criando obstáculos práticos às exportações da região.
Do lado europeu, a expectativa é que uma nova legislação ambiental que ataca produtos vinculados ao desmatamento comece a ser aplicada ainda este ano. Para o governo brasileiro, isso implica risco de reduzir mercado e elevar custos de conformidade para exportadores — um efeito que gera pressão política interna sobre a estratégia de inserção externa e preocupação do setor privado.
O cenário complica a narrativa oficial sobre ganhos imediatos com o acordo: se não houver negociação técnica e salvaguardas recíprocas, projetos de exportação e cadeias produtivas podem enfrentar perda de competitividade. Para evitar desgaste econômico e político, o governo terá de combinar defesa comercial, ajustes regulatórios internos e diálogo com Bruxelas antes do início parcial do tratado.