O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, em Campinas (SP), que a Petrobras foi a "empresa mais rentável do planeta" no primeiro trimestre do ano. A declaração foi feita durante a inauguração de quatro novas linhas do acelerador de partículas Sirius, centro que o governo quer aproximar de empresas estatais para acelerar pesquisa em saúde, energia e novos materiais.

Lula destacou que a Petrobras investe em inovação — afirmação que usou para justificar a interlocução com a presidente da estatal, Magda Chambriard. Segundo o presidente, haverá diálogo com a direção da companhia para aplicar tecnologia desenvolvida no Sirius nas atividades da petroleira. A fala reforça a opção do governo por usar empresas públicas como instrumentos de política industrial e tecnológica.

O discurso também teve tom geopolítico e de soberania: Lula disse não ter preferência entre Estados Unidos e China e ressaltou que "os minerais críticos são nossos", sinalizando interesse em atrair parcerias sem abrir mão do controle nacional. Essa combinação de defesa da soberania e estímulo a investimentos coloca a Petrobras no centro de uma estratégia que mistura capacidade financeira da estatal e objetivos de desenvolvimento tecnológico.

Do ponto de vista econômico, o elogio à rentabilidade da Petrobras vem junto com expectativa de direcionamento de recursos para pesquisa aplicada — e com perguntas para mercados e sociedade sobre governança, transparência e o destino desses lucros. A iniciativa de inovação em saúde lançada no evento amplia o leque de usos potenciais, mas exigirá resultados concretos para justificar a ênfase do governo em elevar o papel das empresas estatais na agenda de crescimento e inovação.