A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) enxergou como um sinal relevante a ligação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizada nesta sexta-feira (21). Em nota, a entidade defendeu a retomada de negociações em alto nível como caminho prioritário para buscar a redução das sobretaxas que os Estados Unidos aplicaram a produtos brasileiros e evitar novas medidas que possam restringir o comércio bilateral.
O Planalto informou que Trump concordou com nova reunião entre equipes dos dois governos para discutir as tarifas. Washington oficializou no mês passado a aplicação de nova tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, após investigação do USTR com base na Seção 301. Em julho, o próprio USTR já havia confirmado tarifa de até 12,5% contra o Brasil e outros países por questões relacionadas a trabalho forçado. O comunicado presidencial também diz que Lula contestou as alegações que embasaram as medidas, listadas no processo do USTR.
Para a Amcham, o momento exige maior previsibilidade para empresas: um levantamento citado pela entidade mostra que 90,5% das empresas consultadas defendem intensificação do diálogo diplomático e comercial com os EUA. A posição do setor privado traduz preocupação concreta com custo competitivo, impacto sobre exportadores e sinal aos investidores — fatores que podem se traduzir em prejuízos reais para cadeias produtivas brasileiras se as sobretaxas persistirem.
Politicamente, o desfecho da nova rodada de negociações será um teste para a capacidade do governo de converter diálogo em resultados práticos que revertam barreiras tarifárias e restabeleçam confiança. A Amcham reiterou disposição para contribuir nas conversas, mas o calendário de reuniões e os termos de um eventual acordo ainda determinam se a iniciativa conseguirá devolver previsibilidade ao comércio e reduzir a pressão sobre exportadores e áreas econômicas afetadas.