A LVMH, maior conglomerado de marcas de luxo do mundo, informou que a guerra no Oriente Médio cortou ao menos 1% de suas vendas no último trimestre, complicando a tão aguardada retomada do setor. O grupo registrou crescimento orgânico de apenas 1% — abaixo do consenso de mercado de 1,5% compilado pela Visible Alpha — e viu suas ações recuarem na negociação em Nova York junto com as da rival Kering.

A empresa atribuiu a piora à queda no fluxo de clientes na região do Golfo, que representa cerca de 6% do faturamento, e à diminuição do turismo na Europa. Executivos relataram quedas iniciais de frequência em shoppings do Oriente Médio entre 30% e 70%, com média próxima de 50%. Relatos de shoppings em Dubai apontam retração de vendas de até 50% desde o agravamento do conflito; as vendas na Europa caíram 3% no trimestre.

A divisão de couro e moda — responsável por cerca de 80% do lucro operacional no ano passado — encolheu 2% em termos orgânicos, completando o sétimo trimestre consecutivo de queda nas receitas desse segmento-chave. Ao mesmo tempo, os EUA aparecem como ponto de resistência, com alta orgânica de 3%, e a China mostrou sinais de melhora em várias categorias, ainda que o efeito não tenha sido suficiente para compensar o impacto regional.

Para investidores e gestores, a notícia reacende o risco de margens pressionadas: mercados do Oriente Médio são particularmente rentáveis, de forma que perda de receitas ali tende a reduzir mais que proporcionalmente os lucros. A LVMH e o setor ainda podem retomar o crescimento em 2026, segundo analistas, mas o recuo atual reforça a incerteza e amplia a sensibilidade das ações a choques geopolíticos.