A M.Dias Branco registrou lucro líquido de R$ 106,3 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 53,2% frente aos R$ 69,4 milhões apurados em igual período de 2025. O Ebitda subiu para R$ 195,9 milhões, avanço de 21,8%, e a margem Ebitda atingiu 8,8%, ante 7,3% um ano antes. A alavancagem, porém, aumentou de 0,1 vez para 0,6 vez, sinalizando maior uso de dívida mesmo com resultado operacional fortalecido.
A receita líquida cresceu apenas 0,4%, para R$ 2,217 bilhões, enquanto o volume comercializado avançou 3,4%, para 407,5 mil toneladas. Na linha dos principais produtos — biscoitos, massas e margarinas — a receita recuou 0,9%, para R$ 1,667 bilhão. A empresa atribuiu a retração a um varejo mais cauteloso nos primeiros meses e ao nível elevado de endividamento das famílias, apesar de ter conseguido ganhar 1,9 ponto percentual de participação no segmento de biscoitos.
Pressões de preço aparecem na performance: o preço médio por quilo caiu 2,9% em 12 meses e 4,9% em relação ao trimestre anterior, comprimindo receitas unitárias. Em contrapartida, segmentos como moagem e refino avançaram 2,8% e adjacências cresceram 10,4%, indicando diversificação que ameniza parte do impacto sobre o resultado consolidado.
O capex saltou 90,6% na comparação anual, para R$ 171,7 milhões, com 72,8% destinados à manutenção e 27,2% à expansão — principalmente projetos de automação, eficiência energética e renovação fabril. Na leitura jornalística, a combinação de ganho de participação e controle de custos sustenta o performance recente, mas a queda de preços médios e a elevação da alavancagem exigem atenção. Para investidores e gestores, o movimento reforça uma estratégia defensiva: reduzir custos por meio de automação e produtividade, ao mesmo tempo em que enfrenta um ambiente de consumo doméstico mais frágil.