Levantamento do Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa, divulgado nesta terça-feira, aponta que 82,2 milhões de adultos — 50,5% da população adulta — estavam com dívidas em março, alta de 1,35% em relação a fevereiro. O retrato confirma que mais da metade dos brasileiros enfrenta dificuldade para equilibrar contas, em um momento em que a recuperação econômica segue com sinais mistos.
O setor financeiro responde por 47% dos débitos. Entre as modalidades, o cartão de crédito aparece como principal fonte de endividamento (73%), seguido por empréstimos (56%) e uso do limite da conta ou cheque especial (33%). Entre os que têm dívida no cartão, 37% acumulam saldos acima de R$ 10 mil e 36% convivem com essas pendências há mais de dois anos. A Serasa alerta que o uso recorrente do crédito rotativo, sobretudo em valores elevados, tende a perpetuar o ciclo de endividamento.
A pesquisa revela também a dimensão social do problema: 38% dos entrevistados vinculam a inadimplência a desemprego ou perda de renda, e os recursos tomados em crédito foram, em grande parte, usados para pagar despesas básicas e quitar outras dívidas. Esses elementos afastam a ideia de que o fenômeno decorre majoritariamente de consumo supérfluo e o colocam como questão de sobrevivência financeira.
Para o governo e para formuladores de política econômica, os números acendem alerta. O quadro reduz o espaço para estímulos ao consumo, pressiona índices de recuperação e pode elevar a inadimplência bancária, com impacto na concessão de crédito e na confiança dos agentes. Do ponto de vista social, reforça a necessidade de políticas direcionadas à geração de renda, à regulação do crédito e à proteção de famílias vulneráveis, sob o risco de custos econômicos e sociais acumulados se o problema persistir. Os dados da Serasa são um retrato do momento, não uma previsão, mas deixam claro que a fragilidade financeira das famílias é tema central para 2026.