O mercado brasileiro voltou a mostrar nervosismo com sinais de maior pressão sobre a inflação e juros. Em um dia de aversão global ao risco, o Ibovespa caiu 2,22%, a R$ 5,0661 o dólar à vista subiu 1,12% e os preços do petróleo avançaram até 2,4%, alimentando receios sobre custos domésticos. O episódio reforça um cenário em que choques externos passam a contaminar expectativas internas.

Diante desse pano de fundo, várias casas financeiras revisaram suas projeções para a taxa básica. Citi e Itaú passaram a apontar Selic de 13,75% ao ano para o fim do período considerado; Pine, XP e JPG estimam juros em 14% ou mais. O boletim Focus já registra 12 semanas de alta nas expectativas de inflação, que agora projeta 5,09% para 2026, e o BTG Pactual foi além ao sugerir prudência na agenda de cortes, mesmo com sinalizações de redução técnica do Copom.

Economistas consultados vinculam o movimento a fatores combinados: o choque de petróleo e efeitos do El Niño pressionam preços de alimentos, a atividade resiliente complica o freio da inflação e o medo gerado pelo conflito no Oriente Médio aumenta a aversão ao risco. Na prática, a curva de juros incorporou esse desconforto — taxas de DI subiram mais de 30 pontos-base em alguns vencimentos —, elevando o custo de capital e reduzindo apetite por renda variável.

O resultado é um cenário com maior probabilidade de juros elevados por mais tempo, fortalecimento do dólar e um choque de risco que corrói margens de empresas e dificulta projeções fiscais e corporativas. Para investidores e autoridades, o desafio agora é reagir a uma combinação de fatores externos e domésticos que tensionam as expectativas e complicam a tomada de decisões econômicas no curto e médio prazo.