A maior pesquisa global sobre a Marca Brasil, conduzida pela consultoria OnStrategy entre outubro de 2025 e março de 2026, desenha uma imagem clara: o agronegócio deixou de ser promessa e virou certeza aos olhos do mundo. Foram ouvidas 192.400 pessoas no país e 278.200 no exterior; o setor rural recebeu nota média 6,1 dos brasileiros e 7,5 dos estrangeiros, um diferencial que chama atenção pela consistência.

A vantagem não é casual. O levantamento aponta para uma ofensiva de longo prazo que combina ciência (Embrapa), regras sanitárias rígidas, instrumentos de crédito como o Plano Safra e atuação de instituições como o Banco do Brasil. Essa arquitetura de políticas públicas e práticas privadas formou uma reputação que atravessa administrações: a governança do agro aparece classificada como "robusta", com notas acima de 7.

O contraste é nítido fora do cinturão agrícola. Indústria, energia e tecnologia são vistas com ceticismo e rotuladas entre "moderado" e "vulnerável" pelos entrevistados internacionais; nenhuma alcançou patamar de excelência. Para um país que ambiciona ser protagonista da transição energética ou atrair cadeias industriais de maior valor agregado, a mensagem é clara: reputação e previsibilidade institucional pesam mais que potencial natural.

A pesquisa acende um alerta político e econômico relevante. A experiência do agro mostra que políticas de Estado, previsíveis e sustentadas por regras estáveis, constroem confiança e atraem mercados. Repetir esse modelo em energia, mineração e tecnologia exige estratégia, marco regulatório claro e compromisso com previsibilidade — não improvisação. Sem isso, o Brasil corre o risco de permanecer reconhecido como celeiro confiável, mas perder oportunidades de agregar valor, tecnologia e investimentos de longo prazo.