A Marcopolo reportou lucro líquido de R$ 271 milhões no segundo trimestre, queda de 15,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o balanço divulgado nesta segunda. O Ebitda recuou para R$ 339 milhões, 15% abaixo do registrado no segundo trimestre de 2025 e inferior às projeções médias do mercado, que apontavam para lucro de R$ 283 milhões e Ebitda de R$ 383 milhões, conforme dados da LSEG. A produção consolidada subiu 8%, para 4.105 unidades, mas não foi suficiente para virar o sinal financeiro positivo.

A companhia atribuiu o desempenho a volumes menores do que o esperado nos segmentos rodoviário e urbano, com forte concentração de entregas de micro-ônibus, além de resultados díspares no exterior. Houve destaque positivo para as exportações e para a operação australiana da Volgren, enquanto entregas recuaram na Argentina, México e África do Sul.

Segundo a Marcopolo, condições de crédito mais restritivas, taxas de juros elevadas, aumento de custos e maior incerteza reduziram a capacidade financeira e o apetite de clientes por investimentos — especialmente aqueles ligados à renovação e expansão de frotas. O efeito é uma compressão da demanda que atinge fabricantes, fornecedores e operadores de transporte.

O resultado abaixo das expectativas funciona como sinal de alerta sobre a sensibilidade do setor a choques macroeconômicos. A empresa terá de combinar disciplina de custos, foco em mercados externos mais aquecidos e estratégias comerciais para recuperar margem e fluxo. Para o setor, o cenário reforça o risco de adiamento da modernização de frotas enquanto crédito e juros permanecerem desfavoráveis.