A Marisa registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 68,4 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o lucro do ano anterior, mesmo com avanço operacional. O Ebitda (pré-IFRS 16) alcançou R$ 36,1 milhões, alta de 89,9% ante 2025, sinal de ganho de eficiência, mas insuficiente para compensar o impacto financeiro.
A receita líquida consolidada caiu 2,1%, para R$ 386,2 milhões, enquanto as vendas em mesmas lojas cresceram 3,2% — ou 5,3% excluindo efeitos atribuídos à Copa do Mundo, segundo a companhia. A margem bruta das mesmas lojas chegou a 51,3%, um patamar recorde, e o lucro bruto nesse conceito subiu para R$ 194,6 milhões, refletindo melhor gestão de sortimento e abastecimento.
O resultado financeiro foi negativo em R$ 106 milhões, pior 57,2% na comparação anual, em razão da reestruturação da dívida, com liquidações antecipadas e novas linhas de crédito. A dívida líquida subiu para R$ 394,8 milhões (+42,4% desde dezembro) e a alavancagem (dívida líquida/EBITDA 12 meses) passou de 0,8 para 1,4 vez, reduzindo a folga financeira e elevando o custo de capital.
Há sinais operacionais positivos: vendas digitais avançaram 13,1% e a integração entre canais cresceu mais de 20%; o cartão da rede fechou o trimestre com 1,1 milhão de contas ativas e respondeu por 26% das vendas. Ainda assim, a combinação de ganho de margem e geração de caixa precisa acelerar para permitir a redução da alavancagem e aliviar a pressão das despesas financeiras, sob risco de limitar investimentos futuros e a flexibilidade da gestão.