A nova fase da operação Compliance Zero reacendeu o risco de que os custos do colapso no Banco Master sejam socializados. Analistas apontam que prejuízos que começaram como responsabilidade de investidores e gestores — como o aporte de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência — correm o risco de virarem encargos para toda a população se certas propostas em tramitação prosperarem.
No centro da controvérsia está a ideia, atribuída a parlamentares, de ampliar responsabilidades do Fundo Garantidor de Créditos de modo retroativo para cobrir prejuízos de fundos de previdência e outras instituições. Além de contrariar princípios básicos de seguro, a medida empurra custos privados para uma base mais ampla: o FGC é alimentado por contribuições do setor financeiro e seu custo já está embutido no preço do crédito. Tornar sua cobertura retroativa equivaleria a forçar todo o sistema a pagar por gestão falha e possíveis atos ilícitos.
O debate se amplia com o pedido do Distrito Federal para que o STF autorize aval do Tesouro a um empréstimo para salvar o BRB — e com relatos sobre edição de emendas que favoreceriam aumento da cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Se o Tesouro der aval e o banco não honrar, quem arca? A resposta provável é o contribuinte. Esse tipo de solução operacional, além de agravar a percepção de risco, acende alerta no mercado: saída de capital estrangeiro, bolsa pressionada, dívida pública em alta e juros estruturais elevando o custo de financiamento — com projeções que já apontam Selic acima de 14% ao final de 2026.
No plano político e fiscal, o cenário complica a narrativa oficial num ano eleitoral em que o governo mobiliza um pacote de cerca de R$ 227 bilhões em incentivos e subsídios. Mais do que disputas partidárias, trata-se de um teste de sustentação fiscal: persistir em soluções que transferem perdas para o conjunto dos contribuintes amplia desgaste, reduz espaço para investimento e eleva o risco de efeitos adversos sobre pequenas e médias empresas. A alternativa é exigir responsabilização, transparência nas propostas legislativas e medidas que protejam, de fato, o interesse público sem transformar bancos problemáticos em passivos sociais.