O novo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que a pasta está alinhada com o governo e a favor da redução da jornada para 40 horas semanais, com a transição da escala 6x1 para 5x2. Segundo ele, a diretriz já está definida e a mudança acompanha uma tendência internacional citada pelo ministério. A cerimônia formal de transmissão de cargo ocorreu nesta terça-feira (14).

A declaração reacendeu críticas do setor produtivo, que vem se mobilizando para adiar o debate. Empresários e associações dizem preferir que a discussão técnica ocorra fora do período eleitoral, para evitar que a pauta seja instrumentalizada politicamente. A posição do mercado reflete preocupação com impactos sobre custos, organização de turnos e competitividade.

Elias Rosa procurou minimizar o choque, afirmando ser necessário dialogar com o empresariado: explicitar detalhes, ouvir pormenores e buscar soluções. Ao mesmo tempo, reiterou que a orientação do governo está fixada, o que cria um difícil balanço entre uma agenda sinalizada pelo Executivo e a necessidade de negociação técnica e política.

Do ponto de vista econômico e político, o tema tende a pressionar o Executivo: além do efeito direto sobre custos e relações de trabalho, a proposta pode gerar desgaste em ano eleitoral se tratada sem consenso. Para avançar, será preciso conciliar a diretriz anunciada com comprovações técnicas e concessões que reduzam o impacto sobre empresas e setores mais expostos.

A partida está lançada entre anúncio político e exigência de pactos técnicos. A proposta de reduzir a jornada ganhou um endosso ministerial que dá implicações políticas imediatas; a capacidade do governo de transformar a diretriz em norma dependerá da eficácia do diálogo com mercado, trabalhadores e do trato no ambiente legislativo.