A média aparada do Fed de Dallas, uma das métricas citadas pelo novo chair Kevin Warsh, registrou desaceleração para 2,3% em abril, ante 2,4% em março. A leitura reforça a visão de Warsh de que a inflação teria melhorado, mas diverge de outros indicadores que mostram pressões persistentes nos preços.
Pesquisadores do próprio Fed de Dallas alertam, contudo, que a metodologia da média aparada está sofrendo uma distorção. O cálculo corta por volta de 31% dos itens com maior alta e 24% com maior queda; com o impacto das tarifas recentes, muitos preços que subiram passaram a ser majoritários e o corte acaba empurrando a média para baixo, subestimando a inflação subjacente.
Enquanto isso, o núcleo do índice de preços das despesas de consumo pessoal (PCE), a referência tradicional dos formuladores de política monetária, subiu 3,3% em 12 meses até abril, ritmo mais forte desde 2023. Autoridades do Fed já classificaram essa tendência como indesejável, e analistas externos apontam que a média aparada costuma ser menos eficaz em prever inflação futura do que o núcleo do PCE.
O Fed de Dallas não pretende reverter a metodologia no curto prazo; se as pressões decorrentes de tarifas recuarem, a distorção tende a amenizar espontaneamente. Até lá, a divergência entre indicadores complica a narrativa do banco central: apoiar-se excessivamente na média aparada pode dar falsa sensação de desinflação e influenciar decisões de juros num momento em que sinais alternativos indicam necessidade de cautela.