Um relatório semanal do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), obtido com exclusividade pela redação, conclui que as ações do governo para conter a alta dos combustíveis têm efeito de contenção, mas não retornam os valores aos níveis anteriores ao choque internacional. Cortes de tributos federais e uma subvenção à importação do diesel, articulada com os estados, conseguiram interromper a escalada vertiginosa observada em março, mas não produziram recuos generalizados nos preços.

Os números regionais evidenciam o problema: desde o início do conflito entre EUA/Israel e Irã, a gasolina subiu 5,83% no Sul e 6,18% no Sudeste, enquanto Norte e Nordeste acumulam altas superiores a 11%. No caso do diesel, o eixo Sul–Sudeste registra aumento de 19,14% e o Nordeste, de 28,37%. O etanol, por sua vez, foi o item com desempenho mais favorável, recuando na maior parte do país e ficando 5,43% mais caro apenas no Nordeste.

O IBPT atribui a desaceleração inicial à absorção do choque por distribuidoras que usaram estoques reguladores, o que permitiu flutuações marginais para baixo após o pico de pânico. Mas o instituto alerta para um custo de energia que se tornou estrutural em 2026 — algo que medidas puramente tributárias não bastam para resolver. A fragilidade logística e a necessidade de estoques de segurança elevam o prêmio pago por regiões mais distantes dos terminais marítimos.

O quadro tem implicações políticas e econômicas claras: além de onerar consumidores e empresas, a persistência de preços elevados sobrecarrega áreas menos estruturadas e reduz margem de manobra do governo. Sem avanços em cabotagem, infraestrutura portuária ou capacidade de refino regional, as diferenças regionais tendem a persistir, transformando medidas fiscais temporárias em resposta paliativa diante de um problema com contornos mais amplos.