Durante o Eloos, realizado em Belo Horizonte em parceria entre Itatiaia e CNN Brasil, o empresário Rubens Menin destacou a taxa básica de juros — hoje em 14,25% ao ano — como um dos principais entraves à competitividade brasileira. Para Menin, o custo do capital tem drenado capacidade produtiva e investimento, pressionando empresas e famílias e limitando a modernização do parque industrial. A advertência acende um alerta sobre o custo econômico do financiamento caro em um país que busca ampliar exportações e adicionar valor à cadeia produtiva.
O debate do evento, que reuniu lideranças políticas e empresariais, articula pontos centrais da agenda industrial: defesa comercial diante de concorrência externa, o chamado 'Custo Brasil' — logística onerosa, malha ferroviária deficiente, burocracia e carga tributária — e a escassez de mão de obra técnica. Menin defendeu união entre os setores para enfrentar esses gargalos, ressaltando que juros elevados agravam todos esses problemas ao encarecer projetos de inovação, eletromobilidade e bens de capital, essenciais para a diversificação produtiva, inclusive em Minas Gerais.
A crítica ao patamar da SELIC coloca também uma questão política: endereçar o problema depende não só de decisão do Banco Central, mas de ajustes fiscais e reformas estruturais que reduzam incerteiras e melhorem a eficiência do gasto público. Sem sinais claros de coordenação entre política monetária, fiscal e agendas de competitividade, a indústria corre o risco de perder espaço internacional e capacidade de gerar empregos qualificados — um custo econômico e social cujo peso recai sobre famílias e empresas.
O quinto ciclo do Eloos propõe transformar a discussão em propostas práticas, com três painéis que vão da defesa comercial ao futuro industrial de Minas. Menin lembrou o potencial do país e a necessidade de um setor industrial à altura de uma nação continental. Se essa agenda não incluir uma estratégia realista para reduzir o custo do crédito e modernizar infraestrutura, a expectativa de recuperação produtiva ficará comprometida, ampliando o desafio político de quem governa e de quem quer investir.