O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o crédito subsidiado concedido pelo banco não é a principal causa da elevação dos juros no Brasil. Em entrevista ao Canal Livre, ele colocou como fator mais relevante problemas pontuais no sistema financeiro — citando o episódio envolvendo o Banco Master — que, na sua avaliação, pressionaram a trajetória de queda da Selic.
Mercadante ressaltou que a perda associada ao caso Master gerou impacto volumoso no sistema financeiro, estimado em R$ 51 bilhões, e questionou a eficiência da fiscalização que deveria ter evitado o problema. A crítica, embora dirigida ao ambiente regulatório, tem implicações políticas: atribuir à falha de supervisão parte da alta dos juros amplia o debate sobre responsabilidades entre reguladores, bancos e o governo.
O executivo também defendeu o papel do BNDES no crédito direcionado a setores estratégicos. Segundo ele, apenas 23% da carteira do banco teria algum tipo de subsídio — parcela que classificou como irrelevante diante do mercado total de crédito — e, por isso, não justificaria responsabilizar o banco pela trajetória da política monetária.
No foco setorial, Mercadante enfatizou a necessidade de apoio ao agronegócio, especialmente diante do aumento de cerca de 50% nos preços de fertilizantes em cenário marcado por conflitos internacionais. Para mitigar riscos e reduzir vulnerabilidade externa, propôs ampliar investimentos na produção nacional de fertilizantes — uma proposta com efeitos econômicos e fiscais que exigirá definição de prioridades e avaliação do custo-benefício para o orçamento.