O mercado financeiro fez um ajuste marginal para baixo na projeção de inflação de 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira. A previsão para o IPCA passou de 5,03% para 5,02% — a sexta edição seguida de revisão descendente — pouco depois do corte de 0,25 ponto porcentual da Selic, que ficou em 14% na última reunião do Copom.

Apesar do movimento de baixa na expectativa inflacionária, o impacto é simbólico. Analistas mantiveram a projeção da taxa básica para o fim de 2026 em 13,75%: sinal de que o mercado vê espaço limitado para afrouxamento adicional e prefere guardar cautela. O comunicado do BC, que deixou a 'porta aberta' para a próxima reunião, foi lido como justificativa para manter debates sobre ritmo e tempo de novos cortes.

As projeções para o ritmo da atividade também sofreram revisão técnica para baixo: o PIB de 2026 é esperado em 1,98% (ante 1,99% da semana anterior) e 2027 em 1,52% (ante 1,57%). As estimativas cambiais foram mantidas em R$ 5,20 para este ano e R$ 5,28 para 2027. No conjunto, os números mostram ajustes modestos, sem alteração de tendência, mas com sinal consistente de acomodação das expectativas.

Do ponto de vista político e fiscal, a leitura é dupla: por um lado, a sequência de revisões baixistas atenua pressões imediatas sobre juros nominais e custos da dívida; por outro, a magnitude reduzida impede que o governo ou o mercado celebrem uma mudança estrutural no cenário macro. A próxima edição do Focus e as próximas comunicações do Copom serão decisivas para saber se a trajetória de contenção se confirma ou volta a registrar volatilidade.